"Silêncio Entre Andares" Poeta Sonhador O prédio era silencioso no fim da tarde. Um daqueles lugares onde os passos nos corredores diziam mais do que as palavras, e os elevadores guardavam segredos entre andares. Thor, meu labrador, sempre ficava inquieto quando ouvia o tilintar da coleira da Luna no andar de cima. Era como se ele pressentisse algo mais — não apenas a presença da fêmea dourada, mas também a dona dela, Helena. Helena era refinada, de voz calma e gestos suaves. Dona de um sorriso discreto, elegante sem esforço, com um ar de mulher que vive presa a um papel que já não a veste direito. Casada com um médico que mal aparecia, devido as obrigações no hospital, onde coordenava uma ala de pacientes com doenças terminais. Ela passeava com Luna nos fins de tarde, sempre sozinha. Foi ali que nos conhecemos. Ou melhor, onde começamos a nos reconhecer. Nos primeiros encontros, no jardim comum do prédio, falamos sobre os cães — e só sobre eles. Thor e Luna já brincavam...