"Silêncio Entre Andares"
Poeta Sonhador
O prédio era silencioso no fim da tarde. Um daqueles lugares onde os passos nos corredores diziam mais do que as palavras, e os elevadores guardavam segredos entre andares.
Thor, meu labrador, sempre ficava inquieto quando ouvia o tilintar da coleira da Luna no andar de cima. Era como se ele pressentisse algo mais — não apenas a presença da fêmea dourada, mas também a dona dela, Helena.
Helena era refinada, de voz calma e gestos suaves. Dona de um sorriso discreto, elegante sem esforço, com um ar de mulher que vive presa a um papel que já não a veste direito. Casada com um médico que mal aparecia, devido as obrigações no hospital, onde coordenava uma ala de pacientes com doenças terminais. Ela passeava com Luna nos fins de tarde, sempre sozinha. Foi ali que nos conhecemos. Ou melhor, onde começamos a nos reconhecer.
Nos primeiros encontros, no jardim comum do prédio, falamos sobre os cães — e só sobre eles. Thor e Luna já brincavam juntos como se fossem velhos conhecidos. Já nós, humanos, trocamos frases educadas e olhares que diziam mais do que a conversa.
Em um desses encontros, sentados num banco de madeira gasto pelo tempo, o diálogo foi mais solto. Ela falou sobre livros, sobre como sempre gostou de ler antes de dormir.
— Que tipo de leitura? — perguntei, como quem joga uma isca.
— De tudo um pouco — respondeu. — Romance, poesia, até alguns eróticos... se forem bem escritos.
Sorri, controlando a vontade de ir além.
— E se eu te dissesse que escrevo contos eróticos?
Ela riu, surpresa. Me olhou por um segundo longo demais.
— Você? Jura?
— Sou escritor. Não de tempo integral, mas... já publiquei algumas coisas. Gosto de explorar o que as pessoas não dizem em voz alta.
Ela inclinou a cabeça, curiosa.
— Acho isso... instigante.
— Se quiser mando um pra você ler e avaliar, se gostar mando outros. — Me arrisquei um pouco mais.
— Eu iria adorar, pode mandar vários. Me mande pelo whatssap.
— Não é arriscado? Seu marido pode pegar seu celular...
— Ele nunca mexe nele, aliás, ele não tem tempo em casa nem pra sentar na mesa. — E me passou o contato dela.
— Você prefere os mais picantes ou os mais romãnticos?
— Vou confiar no seu bom gosto. O que mexer mais com você.
Assim que cheguei em casa, abri logo meu computador e já mandei alguns que eu considerava mais picantes.
Logo ela leu e me mandou algumas figurinhas, demonstrando que adorou os contos.
No fim da tarde seguinte. Choveu, e ao invés de descermos, ela me mandou uma mensagem:
“Se quiser, pode trazer o Thor aqui. Luna está inquieta e podemos conversar sobre os contos que eu li”
“Seu marido não vem hoje?” - Perguntei.
“Está de plantão até as 10 horas de amanhã.” - Foi a resposta
Subi com uma garrafa de vinho, sob o pretexto de agradecer o convite. O apartamento dela tinha cheiro de madeira e lavanda. A luz era baixa, confortável, e Luna veio nos receber com Thor logo atrás, os dois eufóricos pela reunião.
Conversamos no sofá enquanto os cães brincavam no tapete. A chuva batia suave na varanda, e o vinho foi afinando a tensão entre nós. Falamos mais sobre livros, sobre desejos, sobre o que é guardado nos silêncios conjugais.
— Já li seus contos mais de dez vezes — disse ela, com a taça nos lábios. — O que te inspira a escrever?
— Muitas fantasias que gostaria muito de viver.
— São ótimos, viu, confesso que eu me coloquei em todos eles e me deixaram acordada a noite toda, com o marido roncando ao lado.
— E o que acha que eu escreveria agora?
Ela olhou pra mim, séria por um momento. Então pousou a taça.
— Que ela queria ser beijada. Mas ainda não tinha certeza se ele sabia.
Eu me aproximei, lentamente. Nossos rostos se encontraram como quem atravessa uma fronteira antiga, mas desejada há muito tempo. O beijo não foi apressado. Foi como abrir um livro que já sabemos que vamos amar: cuidadoso, explorando cada página, saboreando cada palavra não dita.
Minhas mãos deslizaram por sua cintura com naturalidade. Ela suspirou, colando o corpo no meu, o calor entre nós subindo como o vapor da chuva lá fora.
Thor e Luna dormiam no tapete, alheios ao que nascia ali — algo novo, algo perigoso. Algo com cheiro de história que eu, enfim, teria coragem de escrever.
O beijo durou mais do que o tempo permitiria em qualquer outra situação comum. Mas ali, entre o som da chuva e a penumbra do apartamento dela, o relógio parecia rendido.
Quando Helena afastou o rosto, os olhos dela estavam mais escuros, dilatados. Ainda assim, ela hesitou, como se testasse o limite do que estava pronta para cruzar.
— Você está jogando com fogo — sussurrou.
— Eu não jogo, Helena. Escrevo com ele.
Ela sorriu, mordendo levemente o lábio inferior.
Se havia alguma culpa escondida no fundo da consciência dela, naquele instante ela se calou completamente.
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Ela se levantou do sofá, sem dizer uma palavra, e foi em direção ao quarto. Por um segundo, pensei que era o fim da noite. Mas, antes de desaparecer pelo corredor, virou o rosto e falou com firmeza contida:
— Vem, vamos escrever o proximoi conto
Entrei no quarto e fui envolvido pelo perfume dela, mais presente ali do que em qualquer outro cômodo. O abajur deixava a luz morna, dourada, como a pele dela. Ela já estava tirando a blusa quando fechei a porta atrás de mim. Sem pressa. Os movimentos eram suaves, mas intencionais. Quase como se encenasse algo que queria muito viver de verdade.
A lingerie era de renda preta, simples, mas perigosa na medida exata. Caminhei até ela, com os olhos cravados nos dela, até estarmos a poucos centímetros de distância. Passei as mãos em sua cintura, subindo devagar pelas costelas até alcançar o fecho do sutiã. Soltei, e ele caiu com um som quase inaudível.
A visão dos seios dela, erguidos, com os mamilos enrijecidos, foi mais que um convite — foi um chamado direto ao meu instinto. Inclinei a cabeça e beijei entre os seios, subindo até um deles. Minha boca se fechou sobre o mamilo, e ela arfou, pressionando meu quadril com o dela.
Minhas mãos desceram, contornando o cós da calcinha, enquanto a conduzia até a cama. Deitei-a com cuidado, como quem posiciona a peça central de um altar. Me despi por completo, sentindo os olhos dela acompanhando cada movimento, sem pudor. Quando me ajoelhei entre suas pernas, puxei a calcinha devagar, revelando aos poucos a pele quente, úmida, desejosa.
Passei a língua pela parte interna de sua coxa, sem pressa, sentindo o leve estremecer dela sob meus lábios. Quando toquei seu sexo com a língua, Helena soltou um gemido curto, surpreso — como se não lembrasse da última vez em que alguém a tocou daquele jeito.
Explorei com precisão. Lento, firme, atento às reações dela. A língua circulando o clitóris, os dedos penetrando devagar, sentindo cada contração, cada suspiro que se tornava mais irregular. Ela se contorcia, gemia meu nome, e em poucos minutos seus quadris se arqueavam num orgasmo sutil, porém devastador.
— Ainda não terminei com você — disse, subindo por seu corpo até beijar sua boca com gosto dela nos meus lábios.
Ela sorriu, puxando-me com força.
— Então não pare.
Penetrei nela com um movimento firme e controlado. Seu corpo se moldou ao meu com uma facilidade quase cruel. Os gemidos agora eram graves, abafados por beijos profundos e mãos que arranhavam minhas costas, marcando uma memória no meu corpo.
Mudamos de posição — ela sobre mim, cavalgando com ritmo próprio, olhos fechados, as mãos em meu peito como se estivesse tomando posse de algo proibido. Seus seios balançavam no mesmo ritmo do prazer, e quando abri os olhos e a vi assim, dona de si, montada em mim com o corpo molhado de suor e desejo, soube que já estava irremediavelmente rendido.
Gozamos juntos. Intensos, silenciosos como quem comete um pecado. Ficamos ali, colados, ofegantes, ouvindo a chuva lá fora e os latidos ocasionais dos nossos cães na sala.
— Isso é o que você chama de enredo? — ela perguntou, com um meio sorriso, os dedos brincando no meu peito.
— Não. Isso é só o primeiro parágrafo. Respondi
— Deve dar um bom conto eróitico, né?
— Com certeza. O melhor de todos.
— Dá tempo de escrever outro parágrafo ainda hoje?
— Dá pra escrever o conto inteiro.
Nos envolvemos em beijos e amassos, pois muito ainda tinha que acontecer naquela noite.
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